O homem pensa em tudo... menos no GR que lhe vai lixar a noite daí a segundos.
04/03/2018
SERÁ O FIM DO "EFEITO ÉDER"?!
Durante dois anos, tudo foi maravilha!
Tudo começou com um golo do Éder, que deu o título europeu de futebol!
Depois, foram as medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio.
Depois, os turistas a abafarem Lisboa, vindos em cruzeiros, charters, automóveis ou comboios, seja para encher hotéis ou para casas AirBnB que em tempos foram habitadas por velhinhas castiças nos baixos de Alfama e Madragoa.
Depois, veio o FMI dizer que tudo estava no bom caminho depois da crise, depois do Paços Coelho ter dito que não havia outro caminho para a sua resolução, e depois também de ter dito que o novo caminho do Governo apoiado pelas Esquerdas (a famosa "Geringonça") ia falhar porque o Diabo vinha aí... e não veio... e Pedro Passos Coelho foi-se, porque não resistiu a mais uma previsão falhada...
Depois, foi o Salvador Sobral a ganhar a Eurovisão. Este sim é o exemplo claro que os astros estão todos do nosso lado, pois ATÉ GANHÁMOS A EUROVISÃO!
Depois, veio a Standard & Poor's aumentar o rating da nossa dívida, ficando a mesma acima do nível de "Lixo", o que foi mais uma chapada em Pedro Passos Coelho que o mesmo entendeu antes como uma medalha sua.
Depois, foi novamente a bola a dar-nos uma alegria! Portugal ganha o Campeonato da Europa de Futsal, contra a eterna campeã Espanha por 3-2! Parecia uma reedição do Euro 2016, com Ricardinho lesionado a ver o golo da vitória no banco.
E eis que chegam as eliminatórias para o Festival da Canção 2018, de onde sairá a canção de Portugal para o Festival Eurovisão a realizar-se em Lisboa. E estou preocupado...
Estou preocupado, porque tenho medo que os turistas se vão embora, que o Governo meta água, que os mercados achem que está tudo mal e com o Passos Coelho regresse dos mortos políticos!
Houve duas eliminatórias do Festival da Canção. Na primeira, a RTP pede mil desculpas mas enganou-se na contagem, e por isso uma das cantoras que fez a festa teve de meter a viola no saco na secretaria. Na segunda, o Diogo Piçarra ganha com larga vantagem, é aclamado por todos como o maior e o mais lindo, mas descobre que a IURD tem uma música parecida gravada em 1979. Pinta a cara de preto, fica desolado por ter tido a mesma ideia musical de um pastor, e desiste. Mais uma concorrente que chorava baba e ranho no fim da eliminatória em directo é resgatada na secretaria.
Ou seja, receio que com a Eurovisão esteja-se a acabar o efeito Éder. E isso é particularmente chato em ano de Mundial de Futebol. Como se isso não bastasse, 90% das canções do Festival são estilo as do Salvador e da sua irmã Luísa, e isso é por si premonitório do grande e redondo ZERO no Eurofestival, com a justificação de os portugueses terem falta de imaginação, mas de serem originais face aos chineses pois ao menos fazem cópias baratas deles próprios.
Ah, no meu tempo é que isto tinha graça... Com o Paião e o "Playback"... Isso é que eram tempos...
14/02/2018
LIÇÃO PARA POMBINHOS: O DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE.
Muitos saberão, mas convém esclarecer os mais incautos: é verdade que alguns futebolistas ganham dinheiro ao mesmo ritmo e nas mesmas quantidades como quem bebe 5 litros de água por dia vai à casa de banho urinar. No entanto, a maioria dos jogadores de futebol ganha o suficiente para uma vida normal, sem Ferraris, sem mansões nas arribas do Algarve, sem apartamentos em cada uma das capitais europeias e sem férias pagas no Dubai pelo xeque. Eu sou um desses "desgraçados" que faz o que gosta e ganha o salário de um trabalhador normal. Sim, ou achavam que ganhava pouco menos que o CR7? Se ganhasse isso tudo, ainda estava a jogar aos 41 anos porquê?!
Esta nota introdutória serviu para vos situar na conjuntura desta história que poderia parecer à primeira vista uma coisa bizarra: futebolistas a falar do Euromilhões.
Pois bem, ontem havia jackpot de 138.000.000€ e a conversa no balneário após o treino era precisamente o que cada um de nós faria com esse dinheiro todo. A maioria alinhava na opção mais regrada: garantir o bem estar da família próxima, comprar casa e carro mas sem cair na estupidez e depois pegar na maior parte da quantia e pôr a render juros (prazo ou à ordem não interessa, pois percebeu-se que por muito pequena que fosse a taxa de juro o retorno dava para se viver o dia a dia que nem heróis), fazendo uma vida de relax.
Eis quando o Lopes, nosso centro-campista mais criativo, diz algo que lançou a discussão: "Eu não precisava de 138.000.000€ (eita número grande pa' caraças!). Se me dessem um milhão, deixava já de jogar e fazia o resto da minha vida de papo para o ar, a fazer apenas e só o que eu quisesse."
Ficou tudo a olhar para ele. Estamos a falar de nove dígitos e o gajo contenta-se com uma gorjeta digna da tasca da esquina? E ainda afirma que com isso tinha a vida feita? A gozação começou após um ligeiro silêncio de surpresa, pois ninguém acreditava que tal fosse possível. E depois de ouvir os previsíveis "o Lopes só come alface, por isso vive bem assim" e "o Lopes como já andou de Metro em Lisboa sente-se um homem realizado" e ainda "o Lopes desde que viu o Túnel do Marquês, já nem quer ir à Ilha da Madeira porque dizem que o túnel é mais bonito", eis que o Lopes diz:
"Mas vocês já fizeram as contas para saber se daqui até à reforma ganham 1.000.000€? É que na verdade não ganham..."
Novo silêncio... E depois, foi tudo a sacar da calculadora, para perceber quantos ordenados anuais eram precisos para fazer 1.000.000€. Entre todos, percebemos que demorariamos entre 30 a 45 anos a conseguí-lo, com os ordenados actuais. Assim se abria a caixa de Pandora: não era preciso uma fortuna imensa para se poder viver sem fazer a ponta de corno!!! Era só preciso que nos saísse o Milhão ou uma cautela da Lotaria e depois continuar a viver a nossa vida como até hoje, sem luxos! Estávamos tão felizes... até falar o Joaquim, o roupeiro: "Vocês estão redondamente enganados. A vida é mais dura do que vocês pensam, e nunca poderiam viver de papo para o ar com um mísero prémio de 1.000.000€!" Virámo-nos todos para o Joaquim e começámos todos a esgrimir argumentos. Eu, talvez por ser o capitão de equipa, acabei por tomar as rédeas do discurso de quem defendia que sim, era possível mandriar o resto da vida com 1.000.000€.
- Oh Quim, eu também não acreditava, mas o Lopes obrigou-me a fazer as contas!
- Estão mal feitas!
- Não estão nada! Repara: se dividires o 1.000.000€ pelo teu rendimento anual, terás o número de anos que precisarias de trabalhar ainda, e isso ultrapassa claramente a nossa reforma.
- Mas as despesas não serão sempre as mesmas!
- É verdade, mas mesmo com os juros a uma bosta como estão actualmente, se metermos 1.000.000 a prazo num banco, com uma taxa anual de 3% temos 30.000 € em retorno. Muitos não têm esse rendimento anual.
- Olha lá uma coisa... começa logo com o facto que um prémio de 1.000.000€ não te dá 1.000.000€, mas sim 750.000€ graças ao IRS sobre os prémios de jogo.
Era a primeira chapada bem assente no nosso sonho, que nos fazia acordar para a realidade. A segunda foi logo de seguida:
- Depois, as vossas mulheres iriam logo exigir uma casa nova. Logo! No imediato!
- Eh, calma lá!! Vamos lá esclarecer as coisas!
- Strik3r, era a primeira coisa que a tua mulher diria: estoirar tudo numa vivenda T4!
- Nanana! Isso não pode ser! Então e a manutenção, com os rendimentos actuais?! E o desgaste do carro a vir para os treinos lá de Trás do Sol Posto para aqui? Quanto muito, pagava a actual hipoteca!
- Não! Casa NOVA! Se não fosse vivenda T4, era apartamento T3, mas casa NOVA!
- Não pode! Ela iria perceber que era uma má decisão!
- Como convencerias tu uma mulher que a ideia dela era uma má decisão?
- Simples, ia colocar à consideração dela: ou tinha casa nova e esfalfa-se a trabalhar como agora para a manter, ou ficava na nossa linda, doce, velha e pequena casa, mas com vida de raínha a não fazer pevide!
Nesse momento, o nosso preparador físico Fabinho toca-me no ombro e diz as palavras mais sábias que ouvi até hoje com sotaque brasileiro:
"Cara, deixa disso. Dinheiro não traz felicidade. Você ainda nem ganhou nada e já está discutindo com sua mulher. E ela nem está aqui, viu?!?!"
Em suma, o dinheiro é a principal razão para os divórcios, porque se não há guito, o pessoal não come, fica irritado, discute e pumba, divórcio. Se há muito, não sabem no que querem gastar, depois cada um quer gastar nas suas coisas, discutem e pumba, divórcio litigioso com a maquía apreendida até ordem do tribunal. Se há o suficiente para uma vida regrada, fofinha, sem maluquices, luxos e viagens malucas, com trabalho e sacrifício, mas se sonha em ter isso tudo sem fazer nenhum e tornarmo-nos num parasita da sociedade sem a parte da delinquência, estamos na barra do tribunal para nos divorciarmos em litigioso e o nosso cônjuge nem sequer sabe disso ainda!
A vida é dura. Há sempre alguém a estragar os nossos sonhos!
06/02/2018
O ROCK NÃO ESTÁ MORTO, MAS HÁ QUEM QUEIRA A MORTE DO ROCK!
Do concerto, tenho a dizer que de 2010 para cá o antigamente denominado Pavilhão Atlântico já mudou de nome mais duas vezes, mas a acústica mantém-se sofrível, com a diferença que para este, soube entretanto, baixaram o volume dos instrumentos. Bem me parecia. Para evitar que os ouvidos da malta sofressem com a ressonância, perdemos os "baixos" a bater na barriga e parecia que estávamos longe, ou então fora do pavilhão com eles a tocar lá dentro. Não sei se ficámos a ganhar com a situação, honestamente, porque já estava a contar com a ressonância (que se manteve) e fiquei desmoralizado com a falta daquele primeiro impacto que normalmente Metallica provoca quando entram em acção! Era suposto a gravação do início de "Hardwired" terminar e levarmos com o som ao estilo de uma rajada de vento que nos desmancha o cabelo.
Isso não aconteceu e foi pena, porque se o som estivesse à altura tinha sido um concerto memorável. Assim, foi só muito bom! Alinhamento bem escalado, com aposta forte em "Hardwired... To Self Destruct" e nos primeiros cinco álbuns. Foram duas horas e meia numa viagem pelo melhor que os Metallica fizeram na sua carreira. Começaram com dose dupla de "Hardwired...", terminaram com dose dupla de "Metallica". Depois, 15 minutos a despedir dos fãs, algo que a banda sempre teve o cuidado de fazer: de alimentar essa empatia com quem os segue e tudo faz para estar presente nos seus concertos.
Um dos momentos inesquecíveis foi a homenagem feita ao Zé Pedro por Robert Trujillo e Kirk Hammet. O baixista começou a tentar cantar em português, mas não precisou de muito esforço pois rapidamente a sua voz foi engolida pelo retorno do público, e aí libertou-se e cantou com emoção uma coisa parecida com a letra original. Foi um momento tão surpreendente como comovente.
Tenha sido um momento de espectáculo racionalmente preparado ou uma homenagem sentida a um dos tipos da família do rock, este facto colocou os Metallica como notícia no país. Rádios, TV's e jornais, ninguém ficou indiferente. E todo este fuzuê levou à inevitável reflexão: afinal, o heavy metal em particular, e o rock em geral, está morto?
Assisti a um concerto num pavilhão cheio com 18 mil almas rockeiras, literalmente dos 8 aos 80 anos de idade. Pearl Jam esgotou em menos de nada, Iron Maiden está quase esgotado, e este ano ainda há Muse, Queens of the Stone Age, Megadeth, Machine Head, 30 Seconds to Mars, Marilyn Manson, Ozzy Osbourne, Stone Sour e até U2!! Este é o panorama de concertos rock e metal de 2018, num país em que não há uma única rádio rock (ou que passe rock em horário nobre) de abrangência nacional.
Apesar de algumas surpresas interessantes, os Grammys premiaram Leonard Cohen como artista rock, numa imbecilidade só superada pela nomeação de Beyoncé no ano passado para a mesma categoria. A cerimónia oficial, transmitida para todo o mundo, foi um desfilar de triste mediania onde impera o hip-hop, longe dos tempos áureos onde pontificavam Fugees e Eminem, e se glorifica o pimba com "Despacito". Coitado do Luis Fonsi que não tem culpa e aproveita para esfregar as mãos de contente, mas quem está certamente muito chateado com tudo isto serão Lucenzo, Rui Bandeira, Toy e outros que vivem da música popular e não tiveram o mesmo reconhecimento sequer para os Grammys Latinos, quanto mais para os "mundiais". Foi a cerimónia onde Ed Sheeran foi nomeado para apenas uma categoria. É certo que o último não é dos melhores trabalhos do cantor pop, mas o pior single de Ed Sheeran vale mais musicalmente que qualquer êxito de Rihanna. Os Nothing More ou os Foo Fighters, com duas das melhores músicas do ano a concurso, não tiveram direito sequer a uma pequena participação na cerimónia. Nada! Se o rock não passa nas cerimónias mais importantes da indústria da música, onde pode passar?!
O rock não está morto, mas parece que o querem matar. Lentamente, como quem aguarda que um velho se apague por falta de comida, porque a realidade é que o rock é inconveniente, é irreverente, é rebelde e foi a peça chave para a consciencialização das sociedades. Não será a kizomba, o kuduro ou o reggaeton que irão por as pessoas a pensar, e não será certamente este hip-hop da moda, o hip-hop das "bitches", das "pieces", das "bullets to the brain" e dos impropérios sem sentido que fará a diferença na luta pelo fim do racismo e segregação racial. Este hip-hop é precisamente o que interessa para que o racismo continue implantado.
É um problema do rock, do metal, mas essencialmente da generalidade da música. Goste-se ou não de Salvador Sobral, em termos musicais, de personalidade ou de postura face ao mundo do espectáculo, tem toda a razão quando diz que a música não é luzes, fogos de artifício e miúdas desnudas. É giro dançar uma parolice qualquer numa festa, e a música de festa também tem o seu lugar nas nossas vidas. Não tem de ser nem deve ser levada ao colo para a apoteose quando no fim se espreme aquilo e nada sai. Mas também é preciso dizer que a música não tem de ser só amor, paixão, desencontros e sofrimento de perda, porque não foi só disso que se fez a história da música. A música também se fez de sonhos, pesadelos, drogas, feitiços, lutas de rua, guerra e um sem fim de outros temas, mas sempre com a melodia que, por si só e retirando a letra, produz emoção nas pessoas.
PS: nem me debrucei sobre a prespectiva das televisões temáticas de música, porque apesar de ainda termos a abrangência musical na VH1, temos uma MTV que não passa música, nem boa nem má...
16/05/2017
É O FIM DOS TEMPOS!!! CHEGOU O SALVADOR!!!
15/02/2017
DIZ-ME, FRANCESCO: QUAL É O TEU SEGREDO?!
PS: ponto positivo disto tudo é que quanto mais se aproxima o fim da bola, mais angustiado fico. E estando mais angustiado, mais motivos tenho para escrever aqui! Lá para os 65, é certinho: Prémio Nobel da Literatura!
05/11/2016
O MEU DIA DE FÉRIAS DAVA UM FILME DO STEPHEN KING
Pouco passava das oito e meia quando regressei a casa. A mulher já tinha saído para o trabalho, eu tinha acabado de levar os miúdos à escola e agora... bom, agora eu estava dispensado dos treinos, para descanso e alívio mental. O próximo jogo é de Taça contra um clube de escalão inferior e serão convocados os menos utilizados, pelo que foi-me dada folga de três dias. Decidi por isso que ia fazer algo que um homem maduro e adulto faz e que não posso normalmente fazer com os putos em casa: dormir! Yeeeeh! Vá, não critiquem, pois há 16 meses que acordo a meio da noite para ajeitar o cobertor, parar birras, procurar chuchas perdidas ou dar um leitinho de reforço a um "crianço" esfomeado. E eram oito e meia da madrugada...
O homem, um velho, de óculos "tartaruga", olha para mim e calmamente responde:
- Señor, esta es mi casa de siempre.
Bonito, tinha um "esclerosado" espanhol em minha casa, e nem sabia como este homem havia entrado.
- Amigo, venha comigo, eu ajudo-o a voltar para sua casa.- respondi enquanto o homem balbuciava mais uma série de palavras em castelhano com a mesma calma anterior.
- Caro senhor, ele diz a verdade, ele sempre viveu aqui."
Era evidente agora que eu e a minha cabeça de vento havíamos contribuído para todo este imbróglio, ao não fechar a porta de casa.
- Oiça, não foi a este senhor que eu comprei a casa, portanto sei que não vivia aqui. Por isso, agradeço que o leve daqui e saia com ele, por favor! - disse eu em tom ainda mais agressivo, também por estar piúrso por ser distraído.
Então a senhora, numa calma tão serena quanto a do velho espanhol, respondeu:
- Senhor, ele morreu aqui. Tal como eu.
Nesse momento, olhei para a senhora, e depois esbocei um sorriso.
- Ok... já percebi tudo... um sonho. Vou acordar. Adeusinho!
Fechei os olhos, como me disseram para fazer em miúdo nos pesadelos (porque nos sonhos nós nunca fechamos os olhos, nem os piscamos, e se fecharmos, acordamos), abri-os, mas as duas personagens continuavam diante de mim. Usei então o método dos filmes e banda desenhada: belisquei-me com força! Doeu... Mas a mulher e o velho continuavam alí, calmamente a olhar para mim. Ele continuava a falar, com uma voz calma, em tom baixo mas com a velocidade característica dos espanhóis, que não permitia que eu percebesse a maioria das coisas que dizia. Decidi agarrar no telemóvel e tirar uma foto, pois das duas uma: ou serviria de prova que estas duas pessoas haviam invadido a minha casa ou não apareceriam se fossem fantasmas. Efectivamente, ao apontar-lhes o telemóvel, eles não apareciam no ecrã. Corri porta fora o mais rápido que pude, e quando chego à rua, novo choque.
"Caramba, tanta gente?! Mas que se passa aqui?!?!", pensei eu. Uma rua de bairro parecia hoje a Rua Augusta em dia de desembarque de cruzeiros do norte da Europa em pleno Verão! Tive o impulso de voltar a agarrar no telemóvel e apontá-lo em modo câmara fotográfica e 90% das pessoas desapareceram da imagem. "Isto não é possível! Mas agora ando a ver fantasmas?!?!"
Eis quando aparece o Gonçalves. Ex-companheiro de equipa no Bluetech F.C., defesa de bom porte e tecnicamente evoluído, já não o via há mais de ano e meio.
- Shôr Strik3r, 'tá bonzinho?! - disse ele, na sua forma característica de cumprimentar!
- Gonçalves!!! Ajuda-me! Preciso de ajuda urgente!
A sua expressão mudou da sua postura habitual de descontracção para um ar algo preocupado. Perguntando o que se passava comigo, convidei-o a voltar para minha casa, onde poderíamos falar melhor.
- Posso entrar?- perguntou ele quando abri a porta.
- Sim, claro, anda, por favor! Entra, porque tenho aqui um problema que não sei como resolver!
Seguimos para a cozinha. Junto da janela comecei a contar o que se havia passado, numa tentativa de não parecer muito louco. A meio, sou entretanto interrompido por três tipos pendurados na escada de incêndio, com um ar muito pouco amigável, a gritar:
- Oh meu, deixa-nos entrar! Deixa-nos entrar! Prometo que não te aborrecemos muito!
Apontei o telemóvel para eles e, como era espectável, eles não apareciam no monitor. É nessa altura que eu deixo de rodeios e pergunto:
- Gonçalves, tu consegues ver estes três galalaus aqui pendurados!
- Claro que sim!
- Tu também os vês?!
- Sim. São fantasmas. São espíritos de pessoas que morreram na rua e procuram um sítio para se proteger, pois continuam a sentir o frio, o calor, o sol, a chuva e todas as coisas que os vivos sentem. O casal de velhotes está aqui porque aqui morreu e estão bem. Estes só entram na tua casa se tu os convidares.
- Mas que raio aconteceu para eu os começar a ver hoje?! E tu, desde quando os vês?! Como sabes tudo isso?!
- Sei isto porque é algo que aprendemos assim que morremos. É como se esta memória fosse gravada na nossa cabeça assim que "batemos as botas". - disse o Gonçalves, de forma muito calma. Aliás, ele demonstrava uma calma muito mais serena que o habitual.
- Desculpa?! De que raio estás a falar?! - perguntei, ainda mais confuso que no início.
- Que eu também sou um deles.
Aponto o telemóvel para ele e constato que se trata de um fantasma.
- Mas então... então?!... como conseguiste entrar na minha casa?!?!
- Tu convidaste-me a entrar, lembras-te?!
Eu estava completamente atónito com tudo isto.
- Mas... mas como?! Quando isso aconteceu?! Como morreste?!
- Foi há uns meses... um acidente... andava pela rua, perdido, e encontrei-te aqui agora. E estou contente, pois agora terei paz sob um tecto.
Nesse momento, ouvindo as suas palavras, sorrio. Sorrio porque percebi tudo.
- F***-se Gonçalves, obrigado. Agora percebi tudo.
- É bom, Strik3r, estou muito agradecido por poder ficar aqui na tua casa.
- Não, Gonçalves. Percebi que isto é tudo uma GANDA TANGA!!!
- Porquê? Porque dizes isso? - pergunta ele, com aquela calma já evidenciada pelo casal de velhos.
- Porque eu vi um post teu no Facebook há pouco. É tudo um sonho! HA HA HA!
Nesse momento, o Gonçalves abre os olhos de espanto e fala qualquer coisa. Qualquer coisa imperceptível e sem nexo, mas sem qualquer importância, porque tudo à sua volta começa a ficar turvo, sem forma.
- Vou acordar! Adeusinho!
Acordei na cama. Ainda não eram dez da manhã. O tablet estava tombado sobre a almofada da minha mulher. Quem diz que das redes sociais nada se aproveita, eis a prova provada que tal não é verdade. Quanto mais não seja, serve para sabermos se um sujeito está vivo, e suporta a teoria do Rui Unas (num âmbito ligeiramente diferente) de que "a verdade está na net"!
Entretanto, ri-me de mais uma aventura surreal pelos meandros da minha mente, e com a convicção que da próxima vez tenho de verificar o tipo dos cogumelos que uso para os bifes ao jantar. Sim, isto não pode ter sido só do meu subconsciente... e levantei-me da cama.
Quanto a ti, Gonçalves, desejo uma longa vida para ti. Muito longa mesmo.
19/07/2016
"ROUBO-TE O TEMPO, PARA QUÊ UM BEIJO?" OU "COMO ESCREVER A LETRA DE UM ÊXITO MUSICAL PARA TOTÓS"
Pois é, meus amigos, estou neste momento a tirar a agulheta da bomba, porque vou mexer com uma música dos D.A.M.A.!
Eu sempre tive uma "paixão especial" por essa declaração de amor intitulada "Roubo-te um Beijo" de André Sardet. O poema é do estilo "menino do 6º ano apaixonado", e confesso que me surpreende o sucesso que teve e ainda tem hoje em dia. Pode ser de mim, é verdade, mas esta conversa não vos parece estranha?
- Dizer como é? Mas como é o quê?!
- Mas... mas tu não és ceguinho, poderás ver como ela é assim que entrares. E eu mostro-ta, com prazer...
- Pois, mas depois beberei do teu amor numa chavena de café.
- Mas... porque não me dás logo? É preciso dizeres-me?! Estragas a surpresa assim!
E continua mais ou menos na mesma onda, numa bipolaridade de emoções, até que na última secção o moço parte para o ataque e para o insulto, fazendo até insinuações bem explícitas relativa à intimidade do casal e num tom que pouca gente gostaria de ouvir na rua... excepto, claro, quando acompanhadas por uma bela guitarra acústica.
Eu dei-te tempo e espaço
Em vez de espaço no tempo
Perdeste tempo no espaço
E pronto... assim terminamos o escárnio sobre um dos maiores sucessos das play-lists das rádios actualmente!
Sim, eu sei, só digo mal, sou um aziado, escrevo mal, nunca fui músico, tenho a mania que sou bom, e como jogador de futebol digo várias vezes "estou feliz por estar contente"... blá blá blá... Mas confessem lá se não é giro desconstruir assim as canções?!
PS: Portugal Campeão da Europa de Futebol deu-me 80 visualizações em uma semana. Aposto que este vai batê-lo largamente e até vai ter direito a comentários e tudo! A chamarem-me tudo menos "bom rapaz", é certo, mas muitos comentários... e de miúdas, ainda por cima! :D
13/07/2016
ESTE É PARA A ETERNIDADE: PORTUGAL CAMPEÃO DA EUROPA!!!!
- A Champions League cria ÍDOLOS.
- Os Europeus e os Mundiais além de ÍDOLOS também criam LENDAS.
Cinco penaltis, cinco golos e uma defesa para a eternidade de Rui Patrício, o Guarda-Redes do EURO 2016.
"Era uma vez um grupo de fazendeiros comandados por um cavaleiro gigante que foi lutar contra os Ogres da Montanha. Onde? Na Montanha! E logo mal os vêem chegar ao campo de batalha, os ogres matam o cavaleiro gigante. No entanto, os fazendeiros vão fazendo tudo por tudo para não serem atirados pela ravina abaixo, até que o fazendeiro côxo desfere um golpe com a sua espada e mata os ogres todos! FIM!"
30/05/2016
REGAR A RELVA EM DIA DE CHUVA.
Termina mais uma época atarefada do vosso ponta de lança preferido, e o veredicto não é positivo. A lesão no joelho contraída em Março condicionou o final de época e pode não estar completamente debelada. Isso e os meus tiques de vedeta fizeram com que as opiniões fossem poucas durante muito tempo.
Muito aconteceu entretanto. Senão vejamos:
- Tudo começou com o Sótraste, caído em desgraça nas eleições, a ir para Paris de boina ao lado estudar enquanto reside num apartamento de luxo de um amigo. Os colegas não gostaram de o ver a chegar de Bentley todos os dias e a acender cigarrilhas com notas de 100€, queixaram-se e ele foi de cana! No entanto, o festival patrocinado pelo Correio da Manhã foi tal que o gajo de quem ninguém gostava é hoje visto como um herói injustiçado por alguns, e até eu acho que o estão a tentar apanhar sem ter por onde agarrar.
- Veio o Pedrocas, cortou tudo e cortou em todos, excepto em quem tinha bastante, agarrou-se à cadeira de sonho como uma mosca a um pingo de caramelo, e até beijaria o Paulinho das Feiras para lá continuar. Este fez chantagem, decidiu sair, mas voltou com a promessa de mais galões! O que eles não contavam era com a "esquerdalha inconsciente" a ganhar responsabilidade e unir-se com o Tony Costa. O Pedrocas voltou para a bancada, à espera de ser emprateleirado! Quanto ao Paulinho, pirou-se antes que fosse emprateleirado! Entre mortos e feridos deste Armagedâo Vermelho, o PAN tem um deputado na Assembleia da República!
- O Cavaco está reformado, finalmente, para bem do país. E nem uma piada merece sobre o assunto. O Marcelo é o novo PR e tem sido mais Presidente em 3 meses que o outro em 10 anos!
- Voltou tudo para trás: privatizações, medidas laborais, cortes salariais, e finalmente é possível casais gay adoptarem crianças! A Miss Alemanha meteu mãos à cabeça. O Pedrocas pede castigo, a Sãozinha também mas menos descaradamente, mas o Tony continua a juntar a malta à mesa e a sair das reuniões triunfante. Se calhar, é ele quem paga a conta, e vamos a ver se não paga toda no fim...
- Os estivadores estiveram em greve 34 dias. Pairou a ameaça de despedimento colectivo. O Tony foi lá e pimba! Assunto arrumado, tudo de volta ao trabalho de sorriso nos lábios!
- O tema mais complicado estava a ser o caso dos colégios com contrato de concessão. Mesmo aí, o Tony e os seus colegas decidiram bem! Têm uma minoria irrisória a protestar e uma cambada laranja e azul a defendê-los com argumentos tão fortes como "vocês vão por professores no desemprego", esquecendo o que foram os últimos 4 anos em matéria de educação. Mais valia dizerem "vocês cheiram mal dos pés", teriam certamente mais credibilidade e alguém a dizer "epá, estes tipos têm alguma razão!"
Por isso, fico com a sensação que há muita gente preocupada com o mês de Junho. Principalmente o Tony! É que a vida corre-lhe tão bem que estará neste momento a pensar:
"Caramba, não podemos adiar o EURO 2016 e a COPA AMERICA CENTENARIO para a altura da discussão do Orçamento de Estado 2017? É que agora está tudo bem, há consensos e não temos medidas crispatórias para tomar, e estamos a desperdiçar trunfos destes, pá! Um mês inteiro de futebol para distrair a malta quando está tudo bem é como regar a relva em dia de chuva!"
Concordo! Adiem, para ver se ainda sou seleccionado depois de curado! Se o Ricardo Carvalho e o Ederzito podem ir a França, eu também posso! E tenho esperança!
Copa América Centenário e EURO 2016 aqui no "Angústia...", só para chatear!
20/01/2016
PODIA SER CANDIDATO A SANTO... MAS A MOSTARDA NÃO DEIXA.
- um chef a meio de elaborar a ementa para a recepção à Rainha Isabel II;
- um agente da Judiciária escondido atrás de uma parede prestes a surpreender uns barões da droga em plena negociata;
- uma advogada no interrogatório do tribunal prestes a enterrar o arguido e a fazê-lo confessar o crime;
- um neurocirurgião a reconstruir a espinal medula de alguém que vai voltar a andar após a intervenção.
- Grande Strik3r! És o maior! Esse pé direito de ouro! Como estás?
- Estou bem, e tu? Diz-me rápido o que precisas...
- Olha, lembras-te daquele pedido que te fiz numa quinta-feira há duas semanas, para criares um esquema sobre chutar à baliza com a cabeça, para passar ao treinador dos juvenis?
- Não é nada disso, foi na sexta-feira de há três semanas, era um plano de treino completo para apurar a técnica ideal para abordagem à bola para cabeceamento para golo, e isso foi-te enviado na segunda-feira, logo pela manhã!
- Epá, excelente! Isso é que importa. Olha, eu estou a ir agora reunir-me com ele, e queria pedir-te o favor de me reenviares isso. É possível?
- Não! Já to enviei há 3 semanas. Neste momento tenho um penalti para marcar que pode-nos dar a vitória no jogo e o árbitro está a dizer para me despachar.
- Epá, é que não tenho rede aqui, estou no telemóvel e assim era mais fácil.
- Pois, mas é tudo uma questão de prioridades: ou volto ao jogo, marco o penalti, faço golo e avancamos para as meias finais da Taça, ou peço substituição e vou lamber mails. O "mister" já não está a achar graça à conversa...
- Epá... pois... Epá... pronto, eu acho que posso ver no portátil quando lá chegar...
14/11/2015
NÃO SE TRATA DE RELIGIÃO!
13 de Novembro de 2015. Uma sexta feira supostamente normal termina com um dos ataques terroristas mais fraticidas e cobardes da história recente da Europa. Em Paris, um estádio de futebol, uma sala de espectáculos e vários outros locais lúdicos foram o palco perfeito para passar mensagem, segundo uns iluminados que acham que são os detentores da verdade absoluta. A mensagem, essa, foi simples: tenham medo.
Ao matarem pessoas perto do Stade de France (palco da futura final do EURO 2016 de futebol) onde se jogava um França-Alemanha, no Le Bataclan durante um concerto de uma banda norte americana, e em vários restaurantes e zonas públicas movimentadas numa normal noite de sexta feira, o objectivo foi atingido de forma evidente. Pelo menos, no curto prazo.
Estamos perante um cenário que hoje coloca várias incógnitas ao futuro da civilização europeia. O Espaço Schengen é o primeiro, do ponto de vista político, mas se calhar o menos importante para a vida das pessoas.
Continua-se a associar este tipo de situações, principalmente as ligadas ao ISIS, à religião e ao islamismo radical. No entanto, a explicação é mais simples e, provavelmente, pior. Trata-se apenas de poder e exploração da maldade humana.
Os terroristas que atacaram o Charlie Hebdo e ontem toda a cidade de Paris são presumivelmente muçulmanos, mas podiam ser católicos, protestantes, hindus, budistas ou cientólogos. Ou outra coisa qualquer. Aquilo que o ISIS faz não é uma guerra santa, é guerra pura, simples e dura. Não são radicais convertidos que cortam cabeças a jornalistas, matam e traficam mulheres e meninas, destroem património cultural mundial e assassinam pessoas normais em vidas normais. São homens a quem foi prometido esse poder de contornar leis e perpetrar o mal sem consequências, porque mesmo que morram serão sempre considerados heróis!
Reparem nuna coisa: quando a um assassino preso era dada a hipótese de liberdade, desde que fosse para ir numa caravela mar dentro, e quando se encontrasse terra desatar a matar índios em nome da Igreja de Roma, a escolha desse homem era óbvia. Aqui a coisa funciona um pouco da mesma forma. Depois, é só esperar que esse elemento dê liberdade a toda a sua frustração para quem o chamou recolher os frutos e ser também ele um herói reconhecido.
Por isso, volto a referir: isto nada tem a ver com religião. É preciso separar os que apenas pretendem dar asas à sua maldade recalcada através de um poder que lhes é dado imediatamente na forma de uma metralhadora, dos que têm fé numa entidade superior e respeito pela vida, pelos outros e pela civilização. Com excepção das famílias das vitimas, essas pessoas de fé são quem mais sofrerá com este ataque nos próximos meses...
14/07/2014
FINAL - ALEMANHA 1-0 ARGENTINA: CHAVE DE OURO DE GOTZE PÕE TAÇA DO MUNDO NO COFRE ALEMÃO!
Manuel Neuer foi efectivamente o GRANDE guarda-redes deste Mundial, apostando na sobriedade e na análise prévia e pormenorizada aos lances contra a espectacularidade de outros. A confiança que um guardião destes dá aos seus colegas da defesa permite que toda a equipa trabalhe de forma mais confiante o processo ofensivo, pois sabe que se algo correr mal na transição defensiva está lá Neuer. E se analisarmos bem, os falhanços de Higuain e Palacio são claros exemplos de intimidação prévia.
Sabella montou a equipa como sempre montou, num estilo de "segura atrás e fé em Messi", visto que nem Di Maria estava disponível e Enzo não é de todo um desequilibrador pelo flanco. E se a Argentina teve a capacidade para importunar a Alemanha nos pequenos periodos iniciais de cada parte dos 90 minutos, a realidade é que a Alemanha usou a sua capacidade de passe para ir moendo os Argentinos e a oito minutos do fim dar a estocada final, com um golaço de Gotze, após 112 minutos em que foi claramente superior a Messi e seus companheiros.
Se é verdade que acho que esta Argentina pode jogar mais e menos cinicamente que aquilo que demonstrou neste Mundial, também acho que provavelmente a alviceleste era a selecção com menos qualidade geral das quatro que chegaram às meias-finais. O processo de Sabella deu-lhes o vice-campeonato, que é para todos os efeitos meritório, mas fica a ideia que uma selecção tão retraída poderá ter inclusivamente prejudicado Lionel Messi, que não foi nem de perto o melhor jogador do Mundial.
Esse prémio, para mim, deveria ter sido entregue a Arjen Robben, que foi o jogador mais decisivo em permanência de todos os que estiveram no Brasil. É pena que o Génio de Vidro, que apresentou uma invulgar resistência, não tenha a mesma máquina de marketing de outros e não seja visto pelas entidades competentes como o fantástico jogador que é!
E para terminar, resta-me dizer que este mês que passou já me deixa muitas saudades...


































