15/06/2018

GRUPO B - PORTUGAL 3-3 ESPANHA - RONALDO FOI GALO NA CAPOEIRA DO TIO VAR ZAROLHO



Portugal teve um duríssimo teste contra a Espanha, num jogo em que tudo esteve prestes a correr muito mal, mas em que ficou mais uma vez provado que ter um Cristiano Ronaldo em forma é um bónus do catano! 

Portugal até entrou bem. Bom controlo de bola, jogando no meio campo espanhol e criando problemas à defesa adversária. Raphael Guerreiro passa para CR7 em desmarcação e o defesa espanhol chega atrasado. Penalti para Portugal! O capitão assume, não fica angustiado com a situação e faz o seu primeiro contra a Espanha e o quarto em outros tantos Mundiais de Futebol! Aos 4 minutos, Portugal estava na frente.

Como seria de esperar, a Espanha pegou no jogo, criou perigo mas Portugal não tremeu. Teve hipótese de fazer o 2-0, mas graças a um erro grosseiro do árbitro, com a conivência do VAR, a Espanha empata. O trabalho de Diego Costa é brutal, mas a cotovelada deste em Pepe também! Para isto, não vale a pena ter VAR... Portugal acusou muito o golo. A Espanha acossou-nos na nossa área e pouco conseguimos fazer. Até que naquele que terá sido provavelmente o único contra-ataque decente, Gonçalo Guedes oferece oportunidade de tiro a CR7. Depois, De Gea fez o resto: uma "peruzada" de todo o tamanho, um aviário inteiro dá novamente vantagem a Portugal.

Cristiano Ronaldo fez o seu primeiro hat-trick em fases finais.
 
A segunda parte começa com uma selecção portuguesa a não conseguir aguentar a pressão espanhola. Foi sem surpresa que os espanhóis viraram o resultado, primeiro com Diego Costa a finalizar na área e depois com Nacho a marcar uma golaça, num tiro a 25 metros da baliza que ainda bate no poste, sem qualquer hipótese para Rui Patrício. O desastrado Gonçalo Guedes, o esforçado Bruno Fernandes e o estoirado Bernardo Silva deram o lugar a André Silva, João Mário e Quaresma respectivamente, e pela ordem inversa. Durante muitos minutos "cheirámos" a bola naquela rabía chata dos espanhóis, mas Portugal teve o mérito de ir para o tudo-ou-nada, correndo atrás da bola até a recuperar. Depois, falta perto da área espanhola... e CR7 num livre primoroso rouba o golo do jogo a Nacho e empata a partida aos 88 minutos!


"Hat-Trick" do capitão em mais um jogo fantástico ao serviço da Selecção Nacional, o primeiro em fases finais! Deu o exemplo, atacou, defendeu, jogou e fez jogar, e foi dele o mérito de Portugal se manter em jogo. Quanto aos restantes, William foi o melhor do meio campo, onde Moutinho foi várias vezes ultrapassado e Bruno Fernandes não conseguiu explanar o seu futebol. Como receava, Gonçalo Guedes não foi o melhor parceiro de Cristiano, principalmente porque pareceu acusar a responsabilidade da titularidade contra a Espanha. Teve duas oportunidades isolado para rematar, mas intimidou-se, deu mais um toque do que devia, e quando tenta passar (e não rematar) perde a bola. Para mim, André Silva continua a ser a melhor opção. Cedric penou muito também porque Bernardo é "levezinho" a defender.

No fundo, o empate não é um mau resultado. Portugal tem agora de cumprir a "obrigação" de vencer contra Marrocos para no último jogo defrontar com alguma calma a selecção chata do Irão, comandados pelo chato do Carlos Queirós, que depois da vitória de hoje irá apostar numa toada do "eu posso perder mas tu não ganhas"!

Momento "Gabriel Alves"

"O Duelo Ibérico apaixona corações, e será Cristiano Ronaldo que dará início à partida. Portugal sairá com a bola!!"
Pontapé de saída é dado pela Espanha.

MVP

CRISTIANO RONALDO
É já o melhor marcador do Mundial 2018. Três golos, com o terceiro a ser uma obra de arte! Soube comandar os seus colegas de equipa e evitar que a equipa entrasse em depressão enquanto corriam todos atrás da bola na rabía que os espanhóis impuseram quando se viram em vantagem no marcador. Um capitão faz-se também disto. Há 10 anos critiquei muito darem-lhe a braçadeira, pois era apenas um miúdo. Hoje, é capitão de corpo inteiro, não só de braçadeira. Brilhante!

14/06/2018

GRUPO A - RÚSSIA 5-0 ARÁBIA SAUDITA - SURPRESAS SEM SURPRESA


Os jogos de abertura dos Mundiais (e Europeus) são por norma uma seca. Em ambas as equipas é usual o medo de entrar com o pé esquerdo prevalecer sobre o facto de uma vitória ser um bom prenúncio do desejado apuramento para a fase a eliminar. Poucos são os jogos em que há bastantes golos e o resultado mais normal é o empate. Quando alguém ganha, por norma é por 1-0.

Curiosamente, o Mundial da Rússia abre com uma "cabazada" das antigas, imposta pelos anfitriões à Arábia Saudita. Essas são, para mim, as surpresas: o facto de a Rússia ganhar um jogo pela primeira vez desde Outubro, o facto de ser por 5-0 no jogo de abertura, e por ser contra a Arábia Saudita, que ainda no domingo passado até tinha dado boas indicações contra a Alemanha, no particular que realizou já em solo russo.

Porém, as fragilidades dos árabes não disfarçam uma coisa: estas são, na minha opinião, as duas selecções mais fracas do Grupo A. Para mim, o Uruguai será primeiro e o Egipto é o grande candidato à outra vaga para os oitavos-de-final. Os árabes desiludiram-me de sobremaneira, pois no jogo com os Campeões do Mundo demonstraram saber o que fazer com a posse de bola, ser pressionantes sobre o portador da bola e sair rapidamente, e com critério, no contra-ataque. Hoje, apenas tiveram posse de bola, completamente inconsequente. Além disso, a defesa foi um passador, não de farinha mas de rochas basálticas para fazer estátuas.

Cherishev marca um golaço... em que o Video Árbitro fez vista grossa a um fora-de-jogo no lance.

Quanto aos russos, apesar da vitória comprovaram mais uma vez o que eu suspeito deles: têm até alguns bons jogadores, a começar pelo excelente Igor Akinfeev, guarda-redes do CSKA, o veterano Zhirkov, Dsagoev e Smolov. No entanto, além de Smolov hoje estar completamente parvo e não acertar uma (ok, no segundo golo tem uma excelente intervenção... deixando a bola passar por baixo das pernas), perdeu Dsagoev por lesão muscular, o que não é bom agoiro, porque o resto da equipa tem uma qualidade muito mediana, com excepção talvez para Dzyuba e Golovin. Muitos passes perdidos, bolas chutadas para a frente sem critério, falhas constantes na transição ofensiva, isto e muito mais foram o reflexo de um jogo em que a vitória expressiva encobre a realidade do futebol russo.

É certo, e já se viu anteriormente, que uma vitória gorda pode ser fulcral para um apuramento, como Portugal fez contra a Coreia do Norte em 2010, e a Rússia tem já esse trunfo na mão. O jogo da segunda jornada com o Egipto será fundamental para o apuramento de ambas as selecções, pois julgo que será aí que praticamente tudo se decidirá. Se o Egipto sair atrás da Rússia, poderá ser muito complicado para os africanos.

Momento "Gabriel Alves"

"A Arábia Saudita mantém a posse de bola, mas já se viu que de nada serve pois não chega á área, não cria qualquer chance de golo e..."
"Cruzamento para a árEAAAAA E... OH quase o golo dos árabes!"

MVP

CHERISHEV 
Dois golos de belo efeito, o segundo é mesmo um golaço de trivela, com alguns truques inconsequentes e fintas para mandar a bola pela linha final que entreteram a malta e provocaram umas gargalhadas saudáveis foram os argumentos de um jogador que, se for mais objectivo, tem tudo para ser uma bela surpresa deste campeonato.

13/06/2018

AÍ ESTÁ O MUNDIAL DE FUTEBOL!!!


Amanhã começa o Campeonato do Mundo de Futebol 2018. Como sabem, eu tenho um gosto especial por estas competições de selecções, onde ainda está o último resquício de futebol romântico, onde os fracos se fazem fortes e onde as lendas se criam.

Na Rússia não será excepção, se bem que um Mundial sem a Itália para nós podermos dizer "lá estão eles com o Catenaccio" perde alí qualquer coisa... É, sem dúvida, a maior ausência no calendário. De resto está lá tudo para apimentar um início de Verão e fazer do próximo mês mais um período apaixonante para aqueles que gostam de futebol.

A Selecção Portuguesa está presente, como vem sido hábito. É apenas o seu 7º Mundial, mas agora com uma responsabilidade acrescida: o escudo de Campeão Europeu ao peito. Quer queiramos quer não, esse epíteto vai ter de pesar nas costas dos nossos jogadores, que têm uma imagem a defender. Tirando isso, temos claramente melhor selecção que em 2016, com mais e melhores opções em cada sector, sendo no entanto o centro da defesa aquele que me causa maior preocupação, pois são jogadores muito experientes, mas também com alguma veterania. No meio campo está a virtude, com as entradas de Bruno Fernandes e Bernardo Silva, por troca pelo lesionado Danilo (que faz muita falta) e do perturbado André Gomes. No ataque, sai Nani e entra Gelson, sai Éder e entra André Silva, sai Rafa e entra Gonçalo Guedes. E claro, está lá o Bola de Ouro, com uma época em gestão de esforço! Estão lá os que estão melhores neste momento, e isso é que importa.

Depois, vem a parte do jogo em sí. Continuamos a jogar com consistência, eficiência e eficácia, mas não temos aquele estilo de jogo envolvente e apaixonante que nos faz sonhar. Mas na óptica de Fernando Santos, se não sofrermos golos é meio caminho andado para não perder o jogo. Ok, está certo, inegável... mas puxa, um bocadinho de paixão naquela máquina não fazia mal nenhum, e a verdade é que até tem jogadores para jogar mais bonito!

Para mim, o patamar em nada muda face aos anteriores eventos deste género: passar a fase de grupos e depois é o que vier. Somos candidatos a ganhar? Numa segunda linha, conforme a sorte ditar os duelos e se conjugarem os factores ideais, sim. Somos favoritos? Epá... somos mais favoritos que o Irão, mas de momento Alemanha, Espanha e Brasil estão na frente das apostas. Depois vem ali uma segunda vaga com Bélgica, França, Uruguai, Argentina, Inglaterra e que inclui também Portugal. Por isso, acho que chegarmos aos 1/8 de Final é o mínimo, chegar aos 1/4 de final é sinal que somos uma das 8 melhores selecções do Mundo, e por isso é uma boa performance. Tudo o resto é ganho!

Estarei aqui a contar-vos a minha visão dos jogos e dos protagonistas, factos e curiosidades dos jogos. Tenho sinceramente pena é de ter perdido hoje uma das minhas maiores motivações para escrever: Lopetegui foi despedido da Selecção Espanhola, no imediato, e não poderei por isso fazer dele o meu saco de pancada predilecto. Lá terei de arranjar outro à pressão...

Para finalizar, dizer que tenho particular curiosidade em assistir aos jogos da Islândia e do Panamá, ao mesmo tempo que tenho uma "fezada" num bom campeonato da parte do Perú. São as equipas que vou seguir com mais atenção neste Mundial.

04/03/2018

SERÁ O FIM DO "EFEITO ÉDER"?!


Durante dois anos, tudo foi maravilha!

Tudo começou com um golo do Éder, que deu o título europeu de futebol!

Depois, foram as medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio.

Depois, os turistas a abafarem Lisboa, vindos em cruzeiros, charters, automóveis ou comboios, seja para encher hotéis ou para casas AirBnB que em tempos foram habitadas por velhinhas castiças nos baixos de Alfama e Madragoa.

Depois, veio o FMI dizer que tudo estava no bom caminho depois da crise, depois do Paços Coelho ter dito que não havia outro caminho para a sua resolução, e depois também de ter dito que o novo caminho do Governo apoiado pelas Esquerdas (a famosa "Geringonça") ia falhar porque o Diabo vinha aí... e não veio... e Pedro Passos Coelho foi-se, porque não resistiu a mais uma previsão falhada...

Depois, foi o Salvador Sobral a ganhar a Eurovisão. Este sim é o exemplo claro que os astros estão todos do nosso lado, pois ATÉ GANHÁMOS A EUROVISÃO!

Depois, veio a Standard & Poor's aumentar o rating da nossa dívida, ficando a mesma acima do nível de "Lixo", o que foi mais uma chapada em Pedro Passos Coelho que o mesmo entendeu antes como uma medalha sua.

Depois, foi novamente a bola a dar-nos uma alegria! Portugal ganha o Campeonato da Europa de Futsal, contra a eterna campeã Espanha por 3-2! Parecia uma reedição do Euro 2016, com Ricardinho lesionado a ver o golo da vitória no banco.

E eis que chegam as eliminatórias para o Festival da Canção 2018, de onde sairá a canção de Portugal para o Festival Eurovisão a realizar-se em Lisboa. E estou preocupado...

Estou preocupado, porque tenho medo que os turistas se vão embora, que o Governo meta água, que os mercados achem que está tudo mal e com o Passos Coelho regresse dos mortos políticos!

Houve duas eliminatórias do Festival da Canção. Na primeira, a RTP pede mil desculpas mas enganou-se na contagem, e por isso uma das cantoras que fez a festa teve de meter a viola no saco na secretaria. Na segunda, o Diogo Piçarra ganha com larga vantagem, é aclamado por todos como o maior e o mais lindo, mas descobre que a IURD tem uma música parecida gravada em 1979. Pinta a cara de preto, fica desolado por ter tido a mesma ideia musical de um pastor, e desiste. Mais uma concorrente que chorava baba e ranho no fim da eliminatória em directo é resgatada na secretaria.

Ou seja, receio que com a Eurovisão esteja-se a acabar o efeito Éder. E isso é particularmente chato em ano de Mundial de Futebol. Como se isso não bastasse, 90% das canções do Festival são estilo as do Salvador e da sua irmã Luísa, e isso é por si premonitório do grande e redondo ZERO no Eurofestival, com a justificação de os portugueses terem falta de imaginação, mas de serem originais face aos chineses pois ao menos fazem cópias baratas deles próprios.

Ah, no meu tempo é que isto tinha graça... Com o Paião e o "Playback"... Isso é que eram tempos...

14/02/2018

LIÇÃO PARA POMBINHOS: O DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE.



Muitos saberão, mas convém esclarecer os mais incautos: é verdade que alguns futebolistas ganham dinheiro ao mesmo ritmo e nas mesmas quantidades como quem bebe 5 litros de água por dia vai à casa de banho urinar. No entanto, a maioria dos jogadores de futebol ganha o suficiente para uma vida normal, sem Ferraris, sem mansões nas arribas do Algarve, sem apartamentos em cada uma das capitais europeias e sem férias pagas no Dubai pelo xeque. Eu sou um desses "desgraçados" que faz o que gosta e ganha o salário de um trabalhador normal. Sim, ou achavam que ganhava pouco menos que o CR7? Se ganhasse isso tudo, ainda estava a jogar aos 41 anos porquê?!

Esta nota introdutória serviu para vos situar na conjuntura desta história que poderia parecer à primeira vista uma coisa bizarra: futebolistas a falar do Euromilhões.

Pois bem, ontem havia jackpot de 138.000.000€ e a conversa no balneário após o treino era precisamente o que cada um de nós faria com esse dinheiro todo. A maioria alinhava na opção mais regrada: garantir o bem estar da família próxima, comprar casa e carro mas sem cair na estupidez e depois pegar na maior parte da quantia e pôr a render juros (prazo ou à ordem não interessa, pois percebeu-se que por muito pequena que fosse a taxa de juro o retorno dava para se viver o dia a dia que nem heróis), fazendo uma vida de relax.

Eis quando o Lopes, nosso centro-campista mais criativo, diz algo que lançou a discussão: "Eu não precisava de 138.000.000€ (eita número grande pa' caraças!). Se me dessem um milhão, deixava já de jogar e fazia o resto da minha vida de papo para o ar, a fazer apenas e só o que eu quisesse."



Ficou tudo a olhar para ele. Estamos a falar de nove dígitos e o gajo contenta-se com uma gorjeta digna da tasca da esquina? E ainda afirma que com isso tinha a vida feita? A gozação começou após um ligeiro silêncio de surpresa, pois ninguém acreditava que tal fosse possível. E depois de ouvir os previsíveis "o Lopes só come alface, por isso vive bem assim" e "o Lopes como já andou de Metro em Lisboa sente-se um homem realizado" e ainda "o Lopes desde que viu o Túnel do Marquês, já nem quer ir à Ilha da Madeira porque dizem que o túnel é mais bonito", eis que o Lopes diz:

"Mas vocês já fizeram as contas para saber se daqui até à reforma ganham 1.000.000€? É que na verdade não ganham..." 

Novo silêncio... E depois, foi tudo a sacar da calculadora, para perceber quantos ordenados anuais eram precisos para fazer 1.000.000€. Entre todos, percebemos que demorariamos entre 30 a 45 anos a conseguí-lo, com os ordenados actuais. Assim se abria a caixa de Pandora: não era preciso uma fortuna imensa para se poder viver sem fazer a ponta de corno!!! Era só preciso que nos saísse o Milhão ou uma cautela da Lotaria e depois continuar a viver a nossa vida como até hoje, sem luxos! Estávamos tão felizes... até falar o Joaquim, o roupeiro: "Vocês estão redondamente enganados. A vida é mais dura do que vocês pensam, e nunca poderiam viver de papo para o ar com um mísero prémio de 1.000.000€!" Virámo-nos todos para o Joaquim e começámos todos a esgrimir argumentos. Eu, talvez por ser o capitão de equipa, acabei por tomar as rédeas do discurso de quem defendia que sim, era possível mandriar o resto da vida com 1.000.000€.



- Oh Quim, eu também não acreditava, mas o Lopes obrigou-me a fazer as contas!
- Estão mal feitas!
- Não estão nada! Repara: se dividires o 1.000.000€ pelo teu rendimento anual, terás o número de anos que precisarias de trabalhar ainda, e isso ultrapassa claramente a nossa reforma.
- Mas as despesas não serão sempre as mesmas!
- É verdade, mas mesmo com os juros a uma bosta como estão actualmente, se metermos 1.000.000 a prazo num banco, com uma taxa anual de 3% temos 30.000 € em retorno. Muitos não têm esse rendimento anual.
- Olha lá uma coisa... começa logo com o facto que um prémio de 1.000.000€ não te dá 1.000.000€, mas sim 750.000€ graças ao IRS sobre os prémios de jogo.

Era a primeira chapada bem assente no nosso sonho, que nos fazia acordar para a realidade. A segunda foi logo de seguida:

- Depois, as vossas mulheres iriam logo exigir uma casa nova. Logo! No imediato!
- Eh, calma lá!! Vamos lá esclarecer as coisas!
- Strik3r, era a primeira coisa que a tua mulher diria: estoirar tudo numa vivenda T4!
- Nanana! Isso não pode ser! Então e a manutenção, com os rendimentos actuais?! E o desgaste do carro a vir para os treinos lá de Trás do Sol Posto para aqui? Quanto muito, pagava a actual hipoteca!
- Não! Casa NOVA! Se não fosse vivenda T4, era apartamento T3, mas casa NOVA!
- Não pode! Ela iria perceber que era uma má decisão!
- Como convencerias tu uma mulher que a ideia dela era uma má decisão?
- Simples, ia colocar à consideração dela: ou tinha casa nova e esfalfa-se a trabalhar como agora para a manter, ou ficava na nossa linda, doce, velha e pequena casa, mas com vida de raínha a não fazer pevide!

Nesse momento, o nosso preparador físico Fabinho toca-me no ombro e diz as palavras mais sábias que ouvi até hoje com sotaque brasileiro:

"Cara, deixa disso. Dinheiro não traz felicidade. Você ainda nem ganhou nada e já está discutindo com sua mulher. E ela nem está aqui, viu?!?!"


Em suma, o dinheiro é a principal razão para os divórcios, porque se não há guito, o pessoal não come, fica irritado, discute e pumba, divórcio. Se há muito, não sabem no que querem gastar, depois cada um quer gastar nas suas coisas, discutem e pumba, divórcio litigioso com a maquía apreendida até ordem do tribunal. Se há o suficiente para uma vida regrada, fofinha, sem maluquices, luxos e viagens malucas, com trabalho e sacrifício, mas se sonha em ter isso tudo sem fazer nenhum e tornarmo-nos num parasita da sociedade sem a parte da delinquência, estamos na barra do tribunal para nos divorciarmos em litigioso e o nosso cônjuge nem sequer sabe disso ainda!

A vida é dura. Há sempre alguém a estragar os nossos sonhos!



06/02/2018

O ROCK NÃO ESTÁ MORTO, MAS HÁ QUEM QUEIRA A MORTE DO ROCK!

  Foto de Jeff Yeager - metallica.com

Foram 8 anos a separar as minhas duas últimas visitas a um concerto dos Metallica. Depois da World Magnetic Tour de 2010, um novo álbum e a minha inevitável peregrinação ao MEO Arena, para o concerto que acabava com o maior hiato de concertos dos Mestres do Metal ao nosso país, pois a última visita tinha sido em 2012, na Tour de comemoração dos 20 anos do comummente conhecido como "Black Album".

Do concerto, tenho a dizer que de 2010 para cá o antigamente denominado Pavilhão Atlântico já mudou de nome mais duas vezes, mas a acústica mantém-se sofrível, com a diferença que para este, soube entretanto, baixaram o volume dos instrumentos. Bem me parecia. Para evitar que os ouvidos da malta sofressem com a ressonância, perdemos os "baixos" a bater na barriga e parecia que estávamos longe, ou então fora do pavilhão com eles a tocar lá dentro. Não sei se ficámos a ganhar com a situação, honestamente, porque já estava a contar com a ressonância (que se manteve) e fiquei desmoralizado com a falta daquele primeiro impacto que normalmente Metallica provoca quando entram em acção! Era suposto a gravação do início de "Hardwired" terminar e levarmos com o som ao estilo de uma rajada de vento que nos desmancha o cabelo.

 Foto de Brett Murray - metallica.com


Isso não aconteceu e foi pena, porque se o som estivesse à altura tinha sido um concerto memorável. Assim, foi só muito bom! Alinhamento bem escalado, com aposta forte em "Hardwired... To Self Destruct" e nos primeiros cinco álbuns. Foram duas horas e meia numa viagem pelo melhor que os Metallica fizeram na sua carreira. Começaram com dose dupla de "Hardwired...", terminaram com dose dupla de "Metallica". Depois, 15 minutos a despedir dos fãs, algo que a banda sempre teve o cuidado de fazer: de alimentar essa empatia com quem os segue e tudo faz para estar presente nos seus concertos.


Um dos momentos inesquecíveis foi a homenagem feita ao Zé Pedro por Robert Trujillo e Kirk Hammet. O baixista começou a tentar cantar em português, mas não precisou de muito esforço pois rapidamente a sua voz foi engolida pelo retorno do público, e aí libertou-se e cantou com emoção uma coisa parecida com a letra original. Foi um momento tão surpreendente como comovente.

Foto de Jeff Yeager - metallica.com


Tenha sido um momento de espectáculo racionalmente preparado ou uma homenagem sentida a um dos tipos da família do rock, este facto colocou os Metallica como notícia no país. Rádios, TV's e jornais, ninguém ficou indiferente. E todo este fuzuê levou à inevitável reflexão: afinal, o heavy metal em particular, e o rock em geral, está morto?

Assisti a um concerto num pavilhão cheio com 18 mil almas rockeiras, literalmente dos 8 aos 80 anos de idade. Pearl Jam esgotou em menos de nada, Iron Maiden está quase esgotado, e este ano ainda há Muse, Queens of the Stone Age, Megadeth, Machine Head, 30 Seconds to Mars, Marilyn Manson, Ozzy Osbourne, Stone Sour e até U2!! Este é o panorama de concertos rock e metal de 2018, num país em que não há uma única rádio rock (ou que passe rock em horário nobre) de abrangência nacional.

 Foto de Brett Murray - metallica.com

O Rock, evidentemente, não está morto. Mas a pergunta impõe-se: está vivo até quando? Estas bandas que enumerei são constituídas por quarentões, cinquentões ou mais velhos ainda, que não viverão e muito menos tocarão para sempre. E se nem estes monstros do rock têm espaço no FM para tocar, como poderão os potenciais novos valores de verdadeira música meter a cabeça de fora e gritar "estou aqui" por entre todo o plástico latino e kizombeiro que navega nas nossas rádios?

Apesar de algumas surpresas interessantes, os Grammys premiaram Leonard Cohen como artista rock, numa imbecilidade só superada pela nomeação de Beyoncé no ano passado para a mesma categoria. A cerimónia oficial, transmitida para todo o mundo, foi um desfilar de triste mediania onde impera o hip-hop, longe dos tempos áureos onde pontificavam Fugees e Eminem, e se glorifica o pimba com "Despacito". Coitado do Luis Fonsi que não tem culpa e aproveita para esfregar as mãos de contente, mas quem está certamente muito chateado com tudo isto serão Lucenzo, Rui Bandeira, Toy e outros que vivem da música popular e não tiveram o mesmo reconhecimento sequer para os Grammys Latinos, quanto mais para os "mundiais". Foi a cerimónia onde Ed Sheeran foi nomeado para apenas uma categoria. É certo que o último não é dos melhores trabalhos do cantor pop, mas o pior single de Ed Sheeran vale mais musicalmente que qualquer êxito de Rihanna. Os Nothing More ou os Foo Fighters, com duas das melhores músicas do ano a concurso, não tiveram direito sequer a uma pequena participação na cerimónia. Nada! Se o rock não passa nas cerimónias mais importantes da indústria da música, onde pode passar?!

Foto de Jeff Yeager - metallica.com

A Rádio Comercial e a RFM monopolizam o FM de Lisboa, com transmissores de alta potência e repetidores de sinal espalhados pela cidade, que permite que as suas emissões sejam ouvidas até nos túneis. Fizeram muito alarido de os Metallica terem cantado Xutos, porque interessa, sabem que venderia publicidade, sabem que geraria audiência, mas não se dignaram a dizer sequer "hoje à noite, os Metallica tocam no Altice Arena" no dia do concerto. A Super FM fechou as transmissões FM por não conseguir angariar publicidade, porque a rádio só passava música de "drogados cabeludos e cheios de tatuagens", como um director comercial de uma empresa afirmou ao Rui Miguel Santos, líder da rádio. A 105.4FM Cascais resiste sabe-se lá como, possivelmente graças à capacidade organizativa de eventos que vão dando para garantir os tão vitais apoios financeiros. Para qualquer um dos dois casos mencionados anteriormente, a audiência de stream ou nos ISP nacionais, que transmitem as rádios nas suas plataformas digitais e boxes de televisão, vale ZERO para angariar publicidade e sponsors de programação.

O rock não está morto, mas parece que o querem matar. Lentamente, como quem aguarda que um velho se apague por falta de comida, porque a realidade é que o rock é inconveniente, é irreverente, é rebelde e foi a peça chave para a consciencialização das sociedades. Não será a kizomba, o kuduro ou o reggaeton que irão por as pessoas a pensar, e não será certamente este hip-hop da moda, o hip-hop das "bitches", das "pieces", das "bullets to the brain" e dos impropérios sem sentido que fará a diferença na luta pelo fim do racismo e segregação racial. Este hip-hop é precisamente o que interessa para que o racismo continue implantado.

 Foto de Brett Murray - metallica.com


É um problema do rock, do metal, mas essencialmente da generalidade da música. Goste-se ou não de Salvador Sobral, em termos musicais, de personalidade ou de postura face ao mundo do espectáculo, tem toda a razão quando diz que a música não é luzes, fogos de artifício e miúdas desnudas. É giro dançar uma parolice qualquer numa festa, e a música de festa também tem o seu lugar nas nossas vidas. Não tem de ser nem deve ser levada ao colo para a apoteose quando no fim se espreme aquilo e nada sai. Mas também é preciso dizer que a música não tem de ser só amor, paixão, desencontros e sofrimento de perda, porque não foi só disso que se fez a história da música. A música também se fez de sonhos, pesadelos, drogas, feitiços, lutas de rua, guerra e um sem fim de outros temas, mas sempre com a melodia que, por si só e retirando a letra, produz emoção nas pessoas.

PS: nem me debrucei sobre a prespectiva das televisões temáticas de música, porque apesar de ainda termos a abrangência musical na VH1, temos uma MTV que não passa música, nem boa nem má...

16/05/2017

É O FIM DOS TEMPOS!!! CHEGOU O SALVADOR!!!

Começo a perceber que sou de um tempo muito antigo. Um tempo muito bonito, de união e de orgulho, mas também de sofrimento e tristeza.

Eu sou do tempo em que o Festival RTP da Canção era sagrado. Do tempo em que um petisco primeiro e um balde de pipocas uma hora depois eram a companhia imprescindível para a noite. Do tempo em que cada um dos quatro elementos do agregado familiar pontuava de 1 a 10 as canções que iam desfilando.

Eu sou do tempo em que a canção vencedora na RTP tocava todo o santo dia na rádio. De manhã, à tarde e à noite. E ainda havia tele-discos ou repetições da performance do Festival a passar antes do Telejornal.

Eu sou do tempo em que o Festival Eurovisão da Canção era acontecimento nacional. Do tempo em que todos acreditavam que desta é que era. Do tempo em que todos ficavam cheios de calos nas mãos de tanto esfregá-las a dizer que desta é que era. Do tempo em que todas as canções estrangeiras eram sempre uma bodega, mesmo que fossem muito boas.


Eu sou do tempo da Manuela Bravo, dos discos singles de vinil e dos gira-discos portáteis para crianças. Do tempo em que eu punha o gira-discos a funcionar e da minha mãe dizer "OH STRIK3R, JÁ CHEGA DE «SOBE, SOBE, BALÃO SOBE!!»"

Eu sou do tempo dos alemães Dschinghis Khan, da "suiça" Celine Dion e do irlandês Johnny Logan. Do tempo do Carlos Paião, das Doce e da Maria Guinot.

Eu sou do tempo em que Espanha dava sempre 12 pontos a Portugal. Do tempo de Portugal dar sempre 12 pontos à Espanha. Do tempo em que os alemães e os franceses eram uns sacanas porque nunca nos davam pontos... nem um pontinho de comiseração. Do tempo em que se Espanha não desse os 12 pontos, eram uns sacanas como franceses e alemães.

Eu sou do tempo em que o Festival Eurovisão da Canção estava todo comprado. Do tempo em que tudo estava feito para ________ (pôr aqui o país correcto) ganhar, por muito má (ou realmente muito boa) que fosse a canção. Do tempo em que a nossa canção era sempre muito melhor que a dos outros, mesmo que fosse uma grande "jana", mas em que éramos demasiado pequeninos para ganhar.

Eu sou do tempo em que não ganhávamos pevide, em nada e em lado nenhum, e sempre por duas razões: ou porque éramos maus e não percebíamos tal, ou porque estava tudo feito para não ganharmos por muito bons que fôssemos.

E eis que em 2016, o Éder marca um golo! Repito, em maiúsculas, bold, itálico, sublinhado, vermelho e letra bem grande, porque ainda hoje custa a acreditar:  
O ÉDER MARCA UM GOLO! 

E a partir desse fatídico dia de 10 de Julho de 2016 tudo mudou. Crescimento económico, desemprego em queda, défice abaixo dos 3%, segundo Orçamento de Estado aprovado por uma coligação de todas as esquerdas, destino turístico de eleição, medalhas olímpicas... epá, uma fartura!

Mas ainda havia um bastião inexpugnável, e impossível de derrubar. Hoje em dia, na Eurovisão, ao voto do júri comprado junta-se o voto do público iletrado e amusicado, dominado pelo conlúio da Europa de Leste! Aí, nem o Éder nos salvava. Só um Messias, um Todo-Poderoso, um Salvador.

E o Salvador ganhou. 


Muitos acreditavam que desta é que era porque a canção era muito boa. Eu, confesso, ouvi a canção por inteiro pela primeira vez no sábado. Por isso, quando vi que a canção estava a dar um bigode nas votações fiquei de queixo caído, porque já não era a primeira vez que enviávamos uma boa canção com uma boa música e das outras vezes isso valeu ZERO! O jornal "El Español" diz mesmo que fizémos batota, porque levámos uma canção com música a sério, que jogamos baixo e sujo, porque quem vai à Eurovisão vai para a baderna, não para levar o festival a sério e levar coisas com qualidade! (ler o artigo original aqui)

Meus amigos, perante isto resta-me dizer apenas isto: se até já ganhámos na Eurovisão, é aproveitar o embalo, pegar nos nosso submarinos "Arpão" e "Tridente", mais um grupo de GNR's e de paraquedistas, e invadir os EUA, para de uma vez por todas conquistarmos o Mundo! É vitória certa, e ainda temos o prazer de dar umas bolachadas no Donald Trump!!

... ou então o Mundo acaba daqui a uns meses, pois não aguenta tanta vitória lusitana...

15/02/2017

DIZ-ME, FRANCESCO: QUAL É O TEU SEGREDO?!



Todo o jogador, melhor ou pior, mais profissional ou mais amador, chega a uma fase da sua carreira em que se depara com novidades que lhe fazem confusão: que a bola já não rola como rolava antes, que os adversários ficam mais rápidos a mudar de direcção, que os jogos passam a durar mais tempo do que era normal... e depois percebe que nada disto é estranho, é apenas a idade a atacar. E quando ataca, meus caros, não há experiência que nos valha.

Para um jogador de "elite", como é o caso do personagem que vos escreve estas linhas, há também outros factores externos que nos condicionam a profissão. Esses factores são vários, diversos, mas descrevem-se numa simples expressão de duas palavras: vida familiar.

Pois bem, os últimos meses têm sido o reflexo do acordar para uma nova realidade. A quatro meses de completar 40 anos, dei comigo de canadianas pela primeira vez na vida devido a um estiramento do ligamento lateral interno do joelho esquerdo. Foi a primeira vez que fiquei sem jogar mais de um mês por obrigação. Foram dois meses e meio de paragem, e o regresso revelou-se doloroso, obrigando a mais umas semanas de paragem. 

A seguir, verifico que a minha profissão adorada colide com os interesses da pessoa que comanda o Mundo, a quem foram atribuídos poderes tais que lhe permitem interferir com os direitos adquiridos dos habitantes terrestres em geral e dos futebolistas em particular, e que é tão egoísta quanto qualquer ser humano pode ser. Para quem não percebeu aquilo a que me refiro, o meu puto mais novo aprendeu a andar, desatou a mexer em tudo o que alcança e implantou o Inferno na Terra. A mãe, já quase em estado de demência devido às torturas de que foi alvo, pediu-me por tudo que a ajudasse a conter os seus ímpetos ditatoriais e impedisse que o seu domínio se estendesse ao restante território. "Bolas, mas isso implica que terei de faltar aos jogos..."


A realidade é que a competição efectiva esmoreceu nos últimos anos. De campeonatos com duração de Outubro a Maio, o FLX passou a participar apenas em torneios com 10 a 14 semanas, e alguns eventos esporádicos de curta duração. Os treinos passaram a ser mais uma peladinha de amigos, e às tantas essa peladinha até foi substituída no seio da equipa por peladinhas com outros grupos. A última competição em que participámos foi a 4 de Março de 2016, o tal dia em que o meu joelho decidiu provar que efectivamente não é de ferro... Com a ascenção do Tirano-Mór, as próprias peladinhas ficaram para segundo plano.

Assim, aos 40 anos, dei por mim a pensar que aqueles momentos áureos, aquelas alegrias que conquistámos e que me fizeram de alguma forma viver o sonho de criança, estão mesmo a chegar ao fim. Que no futuro um jogo nunca será como os jogos de há uns anos, e o meu jogo, a minha capacidade de explosão, a minha força para ganhar em corrida ao adversário e bater o guarda-redes adversário com um "tiraço", cada vez será menor... 

E que a bola nos meus pés irá ter um comportamento diferente ao longo dos tempos. Até que um dia, um qualquer dia, irá mesmo deixar de tocar no meu pé...

Amanhã, regresso ao futsal. Peladinha de amigos, pura diversão cuja importância está cingida ao "picanço" na sala do café durante a semana que se sucede. O que tem de especial?! Incrivelmente, é o primeiro jogo que disputo no ano de 2017. Aliás, o primeiro jogo que disputo desde Novembro de 2016 e o sexto da época 2016/2017. E pensar que cheguei a treinar e jogar segunda, quarta, sexta, sábado e domingo...



Francesco Totti. 40 anos, dois meses mais novinho que eu. No passado dia 1, foi dele o golo que deu à Roma (o seu único clube) a passagem à fase seguinte da Taça de Itália. Mais um, o terceiro golo em 16 jogos entre Liga Italiana, Taça de Itália e Competições Europeias. 

Diz-me, Francesco: qual é o teu segredo?


PS: ponto positivo disto tudo é que quanto mais se aproxima o fim da bola, mais angustiado fico. E estando mais angustiado, mais motivos tenho para escrever aqui! Lá para os 65, é certinho: Prémio Nobel da Literatura!

05/11/2016

O MEU DIA DE FÉRIAS DAVA UM FILME DO STEPHEN KING



Pouco passava das oito e meia quando regressei a casa. A mulher já tinha saído para o trabalho, eu tinha acabado de levar os miúdos à escola e agora... bom, agora eu estava dispensado dos treinos, para descanso e alívio mental. O próximo jogo é de Taça contra um clube de escalão inferior e serão convocados os menos utilizados, pelo que foi-me dada folga de três dias. Decidi por isso que ia fazer algo que um homem maduro e adulto faz e que não posso normalmente fazer com os putos em casa: dormir! Yeeeeh! Vá, não critiquem, pois há 16 meses que acordo a meio da noite para ajeitar o cobertor, parar birras, procurar chuchas perdidas ou dar um leitinho de reforço a um "crianço" esfomeado. E eram oito e meia da madrugada...

O problema é que não tinha sono. "Humm, tão cedo e já de olho desperto?! Não importa, ao menos está quentinho aqui!" Graças às maravilhas tecnológicas, pus-me a par da actualidade mundial e desportiva, vi as novidades das redes sociais e, inevitavelmente, tive de atacar o reino de outro incauto jogador e saquear todos os seus recursos naturais e as riquezas do seu castelo. Ah, a barbárie virtual... que maravilha!

Achei entretanto que era boa hora de me levantar definitivamente e então sim, fazer algo de útil para a humanidade. Faço a barba, ponho-me ainda mais bonito que o habitual e volto ao quarto para escolher a roupa. Nessa altura sou surpreendido por uma das visões mais aterradoras com que alguma vez me poderia deparar: um homem no meu quarto, junto à janela!


- Mas que raio está aqui a fazer?! Saia imediatamente daqui! - disse eu enquanto agarrava na cadeira de quarto da minha mulher!
O homem, um velho, de óculos "tartaruga", olha para mim e calmamente responde:
- Señor, esta es mi casa de siempre.
Bonito, tinha um "esclerosado" espanhol em minha casa, e nem sabia como este homem havia entrado.
- Amigo, venha comigo, eu ajudo-o a voltar para sua casa.- respondi enquanto o homem balbuciava mais uma série de palavras em castelhano com a mesma calma anterior.

Quando agarro o seu braço para o encaminhar para a saída, uma voz de mulher por trás de mim diz:
- Caro senhor, ele diz a verdade, ele sempre viveu aqui."
Era evidente agora que eu e a minha cabeça de vento havíamos contribuído para todo este imbróglio, ao não fechar a porta de casa.
- Oiça, não foi a este senhor que eu comprei a casa, portanto sei que não vivia aqui. Por isso, agradeço que o leve daqui e saia com ele, por favor! - disse eu em tom ainda mais agressivo, também por estar piúrso por ser distraído.
Então a senhora, numa calma tão serena quanto a do velho espanhol, respondeu:
- Senhor, ele morreu aqui. Tal como eu.

Nesse momento, olhei para a senhora, e depois esbocei um sorriso.
- Ok... já percebi tudo... um sonho. Vou acordar. Adeusinho!

Fechei os olhos, como me disseram para fazer em miúdo nos pesadelos (porque nos sonhos nós nunca fechamos os olhos, nem os piscamos, e se fecharmos, acordamos), abri-os, mas as duas personagens continuavam diante de mim. Usei então o método dos filmes e banda desenhada: belisquei-me com força! Doeu... Mas a mulher e o velho continuavam alí, calmamente a olhar para mim. Ele continuava a falar, com uma voz calma, em tom baixo mas com a velocidade característica dos espanhóis, que não permitia que eu percebesse a maioria das coisas que dizia. Decidi agarrar no telemóvel e tirar uma foto, pois das duas uma: ou serviria de prova que estas duas pessoas haviam invadido a minha casa ou não apareceriam se fossem fantasmas. Efectivamente, ao apontar-lhes o telemóvel, eles não apareciam no ecrã. Corri porta fora o mais rápido que pude, e quando chego à rua, novo choque.

"Caramba, tanta gente?! Mas que se passa aqui?!?!", pensei eu. Uma rua de bairro parecia hoje a Rua Augusta em dia de desembarque de cruzeiros do norte da Europa em pleno Verão! Tive o impulso de voltar a agarrar no telemóvel e apontá-lo em modo câmara fotográfica e 90% das pessoas desapareceram da imagem. "Isto não é possível! Mas agora ando a ver fantasmas?!?!"



Eis quando aparece o Gonçalves. Ex-companheiro de equipa no Bluetech F.C., defesa de bom porte e tecnicamente evoluído, já não o via há mais de ano e meio.
- Shôr Strik3r, 'tá bonzinho?! - disse ele, na sua forma característica de cumprimentar!
- Gonçalves!!! Ajuda-me! Preciso de ajuda urgente!

A sua expressão mudou da sua postura habitual de descontracção para um ar algo preocupado. Perguntando o que se passava comigo, convidei-o a voltar para minha casa, onde poderíamos falar melhor.
- Posso entrar?- perguntou ele quando abri a porta.
- Sim, claro, anda, por favor! Entra, porque tenho aqui um problema que não sei como resolver!

Seguimos para a cozinha. Junto da janela comecei a contar o que se havia passado, numa tentativa de não parecer muito louco. A meio, sou entretanto interrompido por três tipos pendurados na escada de incêndio, com um ar muito pouco amigável, a gritar:
- Oh meu, deixa-nos entrar! Deixa-nos entrar! Prometo que não te aborrecemos muito!

 Apontei o telemóvel para eles e, como era espectável, eles não apareciam no monitor. É nessa altura que eu deixo de rodeios e pergunto:
- Gonçalves, tu consegues ver estes três galalaus aqui pendurados!
- Claro que sim!
- Tu também os vês?!
- Sim. São fantasmas. São espíritos de pessoas que morreram na rua e procuram um sítio para se proteger, pois continuam a sentir o frio, o calor, o sol, a chuva e todas as coisas que os vivos sentem. O casal de velhotes está aqui porque aqui morreu e estão bem. Estes só entram na tua casa se tu os convidares.
- Mas que raio aconteceu para eu os começar a ver hoje?! E tu, desde quando os vês?! Como sabes tudo isso?!
- Sei isto porque é algo que aprendemos assim que morremos. É como se esta memória fosse gravada na nossa cabeça assim que "batemos as botas". - disse o Gonçalves, de forma muito calma. Aliás, ele demonstrava uma calma muito mais serena que o habitual.
- Desculpa?! De que raio estás a falar?! - perguntei, ainda mais confuso que no início.
- Que eu também sou um deles.
Aponto o telemóvel para ele e constato que se trata de um fantasma.
- Mas então... então?!... como conseguiste entrar na minha casa?!?!
- Tu convidaste-me a entrar, lembras-te?!

Eu estava completamente atónito com tudo isto.
- Mas... mas como?! Quando isso aconteceu?! Como morreste?!
- Foi há uns meses... um acidente... andava pela rua, perdido, e encontrei-te aqui agora. E estou contente, pois agora terei paz sob um tecto.

Nesse momento, ouvindo as suas palavras, sorrio. Sorrio porque percebi tudo.
- F***-se Gonçalves, obrigado. Agora percebi tudo.
- É bom, Strik3r, estou muito agradecido por poder ficar aqui na tua casa.
- Não, Gonçalves. Percebi que isto é tudo uma GANDA TANGA!!!
- Porquê? Porque dizes isso? - pergunta ele, com aquela calma já evidenciada pelo casal de velhos.
- Porque eu vi um post teu no Facebook há pouco. É tudo um sonho! HA HA HA!

Nesse momento, o Gonçalves abre os olhos de espanto e fala qualquer coisa. Qualquer coisa imperceptível e sem nexo, mas sem qualquer importância, porque tudo à sua volta começa a ficar turvo, sem forma.

- Vou acordar! Adeusinho!



Acordei na cama. Ainda não eram dez da manhã. O tablet estava tombado sobre a almofada da minha mulher. Quem diz que das redes sociais nada se aproveita, eis a prova provada que tal não é verdade. Quanto mais não seja, serve para sabermos se um sujeito está vivo, e suporta a teoria do Rui Unas (num âmbito ligeiramente diferente) de que "a verdade está na net"!

Entretanto, ri-me de mais uma aventura surreal pelos meandros da minha mente, e com a convicção que da próxima vez tenho de verificar o tipo dos cogumelos que uso para os bifes ao jantar. Sim, isto não pode ter sido só do meu subconsciente... e levantei-me da cama.

Quanto a ti, Gonçalves, desejo uma longa vida para ti. Muito longa mesmo.

19/07/2016

"ROUBO-TE O TEMPO, PARA QUÊ UM BEIJO?" OU "COMO ESCREVER A LETRA DE UM ÊXITO MUSICAL PARA TOTÓS"



Às vezes um tipo tem a plena consciência que vai começar a divagar, e que esse "divaganço" o vai levar por caminhos tortuosos, e terá um efeito semelhante ao de chegar a uma bomba de gasolina com um carro em chamas e desatar a abanar a mangueira da bomba enquanto grita "eh pessoal, g'anda chuvada", num bonito e quente espectáculo de fogo preso... Esta é uma dessas vezes.

Porquê?! Oh meus amigos, nos tempos que correm, dizer "epá, não gosto muito de açorda" é o suficiente para ter 100.000 alentejanos a fazer juras de morte a quem o confessar por atentar contra a imagem da gastronomia de uma comunidade tão singular na população portuguesa! Por isso, imaginem o que pode suceder quando alguém espicaçar uma orde de fãs borbulhentas e carregada de estrogénio polulante ao afirmar "este jogo de palavras é mesmo muito farsola"!

Pois é, meus amigos, estou neste momento a tirar a agulheta da bomba, porque vou mexer com uma música dos D.A.M.A.!


Mas antes disso, as origens. A base por onde tudo isto começou...

Eu sempre tive uma "paixão especial" por essa declaração de amor intitulada "Roubo-te um Beijo" de André Sardet. O poema é do estilo "menino do 6º ano apaixonado", e confesso que me surpreende o sucesso que teve e ainda tem hoje em dia. Pode ser de mim, é verdade, mas esta conversa não vos parece estranha?

- Olha, quero dizer-te uma coisa... Um dia destes, eu hei-de ir à tua casa para me dizeres como é.
- Dizer como é? Mas como é o quê?!
- A tua casa.
- Mas... mas tu não és ceguinho, poderás ver como ela é assim que entrares. E eu mostro-ta, com prazer...
- Pois, mas depois beberei do teu amor numa chavena de café.
- Ah... ok...

O verso seguinte até... pronto, vá lá escapa! Ele diz que dança com ela na varanda para toda a gente ver e demonstrar assim o seu desejo em conquistá-la, e depois rouba-lhe o beijo ao bom estilo de Hollywood e não o devolve, e tal... 

Mas, logo de seguida, volta à carga...

- E mais, quando for a tua casa direi tudo o que sinto, e desta vez eu não minto, prometo!
- Hum... mas já me mentiste? Isto ainda nem começou mas já está no bom caminho... 
- Quero segredar-te ao ouvido o que tenho para te dar, e depois abraçar-te até o dia nascer!
- Mas... porque não me dás logo? É preciso dizeres-me?! Estragas a surpresa assim!
- IRRA!!! Eu aqui a abrir o meu coração e tu... Porra, és mesmo chata! Estragaste isto tudo!!!

E assim se acaba uma potencialmente linda estória de amor, por causa do André Sardet e das suas rimas forçadas...

Hoje, enquanto levava o Junior para o infantário, eis que ouvi um novo grande mega-super-cool altamente bacaníssimo êxito dos D.A.M.A. intitulado "Tempo Para Quê"! E devo dizer que os jovens estão no caminho certo para serem os novos Andrés Sardetes... Sardês... Sardêts... isso. 

A intenção até é boa: um tipo amargurado com a prespectiva de perder a sua dama (piada fácil...), mas rapidamente se percebe que o fim provável desta história é ele na esquadra da polícia algemado...

- Pediste tempo para quê, hã? Eu quero-te ao pé de mim, já percebi isso faz tempo, portanto está feito, 'bora! Hein?!?! Como?! Estás melhor assim? Não... não-não-não-não-não, isso é MENTIRA! Olha para mim e diz lá isso outra vez!! Diz!!

E daqui, partimos para toda uma divagação entre os períodos em que tudo eram rosas, e amor, e corações palpitantes, e nuvens cor-de-rosa, e de como era bom, e que quer voltar a ter isso, mas que a moça estragou tudo, apesar de não ter culpa... mas que se está melhor assim, porque raio liga tantas vezes (talvez para dizer "vai-te embora da minha porta ou chamo a polícia! sim, outra vez!").

E continua mais ou menos na mesma onda, numa bipolaridade de emoções, até que na última secção o moço parte para o ataque e para o insulto, fazendo até insinuações bem explícitas relativa à intimidade do casal e num tom que pouca gente gostaria de ouvir na rua... excepto, claro, quando acompanhadas por uma bela guitarra acústica.

Onde entra o Sardet nisto tudo? Na existência de vários, muitos, toneladas de versos em que temos a sensação que o texto anda às voltas até acertar na palavra que permite a rima com o verso anterior, obviamente

O que me chamou à atenção foi uma parte da letra em que gosto de acreditar que alguém, enquanto escrevia esta letra, a dada altura pensou:

- Bolas... está quase tudo pronto, mas todos os clichés rimáveis já foram usados... e tenho aqui um bocado em falta... É que amanhã os gajos têm de gravar isto, já não há muito tempo... como vou preencher este espaço?! (PLIM!!! Fez-se luz!!!!) Já sei!!!!

E eis que tilinta nos nossos ouvidos:

Pediste espaço e tempo
Eu dei-te tempo e espaço
Em vez de espaço no tempo
Perdeste tempo no espaço

Epá... esta foi forçada... mas também, nesta história, tinha de ser algo assim, bem forçado!

E pronto... assim terminamos o escárnio sobre um dos maiores sucessos das play-lists das rádios actualmente!

Sim, eu sei, só digo mal, sou um aziado, escrevo mal, nunca fui músico, tenho a mania que sou bom, e como jogador de futebol digo várias vezes "estou feliz por estar contente"... blá blá blá... Mas confessem lá se não é giro desconstruir assim as canções?!

PS: Portugal Campeão da Europa de Futebol deu-me 80 visualizações em uma semana. Aposto que este vai batê-lo largamente e até vai ter direito a comentários e tudo! A chamarem-me tudo menos "bom rapaz", é certo, mas muitos comentários... e de miúdas, ainda por cima! :D

13/07/2016

ESTE É PARA A ETERNIDADE: PORTUGAL CAMPEÃO DA EUROPA!!!!


Adoro os Campeonatos da Europa e os Campeonatos do Mundo de futebol. Sou daqueles que ficam diante da TV a assistir a um Jamaica - Iraque e que viu entusiasmado o Roménia - Albânia. Adoro ainda mais desde que a Selecção de Portugal começou regularmente a apurar-se e a disputar estas provas. É verdade que a Lei Bosman retirou aos eventos de selecções o ónus da definição de "pináculo do futebol", dando esse estatuto à Liga dos Campeões Europeus. No entanto, há uma coisa que não muda:
  • A Champions League cria ÍDOLOS.
  • Os Europeus e os Mundiais além de ÍDOLOS também criam LENDAS.
No entanto, este seria à partida o EURO em que iniciaria a minha missão em frente à TV com menos esperança na performance da selecção de Portugal. Não pela falta de qualidade, que sempre considerei que havia em boa dose. Não pela falta de opções, pois sabia que havia bons jogadores para a equipa principal e bons jogadores para os substituir. Onde estava o problema? Na ideia de jogo de Fernando Santos, o Seleccionador Nacional, que me causa uma comichão terrível!! Gosto de futebol bonito, não gosto de equilíbrios excessivos e de preocupações com a arrumação defensiva com prioridade exagerada sobre as preocupações de como meter a redondinha na rede! Chamem-lhe defeito profissional...

As minhas críticas à Selecção já vêm de longe. Não contesto o 4-4-2 que Fernando Santos implementou com a ideia de tirar o melhor partido de Cristiano Ronaldo. Contesto sim que tenha lançado um dos melhores do Mundo da actualidade autenticamente "às feras", não lhe dando um companheiro mais posicional, um homem de área, para levar a pancada que os defesas dão e permitir assim libertar a nossa estrela, dando-lhe espaço para ter a bola de frente para a baliza (onde ele é mais forte, explorando o espaço) e não de costas, sujeito à marcação impiedosa dos centrais. Além disso tem tendência para descer no terreno na procura da bola (porque CR7 quer a bola), trazendo consigo a linha defensiva adversária e assim tirando espaço de construção à Selecção Portuguesa quando estamos em posse. Alguma crítica especializada não está do meu lado, argumentando com o facto de em 8 jogos do apuramento termos vencido 7, os do legado de Fernando Santos. Eu, que sou um mero curioso, contra argumentava com factos: tudo vitórias por um golo de diferença, dificuldades em derrotar a Arménia por 3-2 e vitórias "caídas do céu" no final do jogo contra Dinamarca, Sérvia e Albânia. Nos 23 convocados, um único ponta-de-lança: o trapalhão Éder. Fernando Santos estava a dar comigo em doido!!!

Dia 14 de Junho, dia do primeiro jogo no França 2016, frente à surpresa Islândia, que na fase de qualificação "arrumou" a Holanda. Meio-campo com João Moutinho movido a gasóleo, André Gomes com cola nos pés, Cristiano Ronaldo fisicamente nas lonas e Nani no apoio ao capitão como peixe fora de água. O mesmo Nani ainda faz um golo, mas uma desastrosa (des)organização defensiva no ínico da segunda parte propicia aos Vikings o empate, e o desnorte apodera-se da Selecção das Quinas. Cristiano passa o resto do jogo a atirar bolas para o quintal ou contra barreira em livres confrangedores. Resultado final: empate 1-1. Um deslize normal, dizem os mais optimistas. Um prenúncio de ecatombe, prevejo eu.
 

Portugal defronta depois a Áustria... e nem de penalti marca. O empate 0-0 faz soar o alarme, pois em 54 remates marcámos um miserável golo em dois jogos. É no rescaldo desse jogo que quando Fernando Santos diz, para gáudio de todos os humorístas: "Já disse à minha família que só vou para casa dia 11 do mês que vem. Por isso, ainda vou estar aqui muuuuuito tempo..."


E eu, obviamente, disse que ele era um idiota...

E a Hungria, aparentemente, dá-me razão. Novo empate, 3-3! Tantas cautelas defensivas e a equipa desmembra-se num acumular de erros infantis. Mas seguimos em frente... E novo empate aos 90 minutos frente à Croácia, que venceu a Espanha com coragem mas amedrontou-se contra "CR7 e os seus amigos"! Só que agora, alguém tinha de ganhar e vai-se para prolongamento. Quando cheirava a penaltis, os croatas arriscam um pouco e quase marcam... no contra-ataque, GOLO do Quaresma! Um golo que eu festejei e dez segundos depois disse ao meu pai "epá, vamos ganhar este jogo sem saber ler nem escrever..."

 
Nesta altura, a imprensa internacional já diz que Portugal é a equipa mais enfadonha, com o futebol mais chato mas mais organizado de todo o EURO 2016. A imprensa francesa vai mais longe, classificando-nos de "nojentos" e "indignos de uma presença nos quartos de final". Sem uma exibição de encher o olho, sem entusiasmar e também sem um adversário top pela frente para se poder dizer que haviam sido realmente postos à prova, a Selecção estava entre as oito melhores da Europa. Entre os portugueses já se usa uma expressão que ficou para a história: "De empate em empate até à vitória final!"

Quartos de Final: Polónia! Golo de Lewandowski aos 90 segundos. O puto-maravilha Renato Sanches empata aos 33. Mais um empate nos 90 minutos, o quinto em cinco jogos, que nem o prolongamento desfaz. Penaltis. E o primeiro momento EURO: Cristiano Ronaldo mostra ao Mundo o que é ser um capitão!

Cinco penaltis, cinco golos e uma defesa para a eternidade de Rui Patrício, o Guarda-Redes do EURO 2016. 


E estávamos nas meias-finais. Nesta altura, até o adepto menos crente e menos entusiasmado, como era o meu caso, percebe que tudo pode acontecer. Estamos a dois jogos do fim, principalmente quando numa meia-final da prova temos pela frente o estreante País de Gales. OK, venceu o grupo da Inglaterra... OK, "espetou" 3-1 na Bélgica recheada de estrelas milionárias do futebol mundial... mas caramba, é o País de Gales, que tem Gareth Bale, Aaron Ramsey e uma série de jogadores da 2ª divisão inglesa!!!

A Selecção cumpriu, com uma vitória incontestável por 2-0, a primeira em 90 minutos. Cristiano Ronaldo e Nani, os marcadores de serviço, colocam-se em posição para tentar roubar a Bota de Prata ao francês Antoine Griezmann, que tinha na altura quatro golos. Mas na outra meia-final, Griezmann aproveita o descontrolo defensivo da Super-Alemanha para marcar dois golos, fugir aos perseguidores e carimbar a presença da França na final do seu EURO 2016.


Acaba o França 2 - Alemanha 0, e a minha mulher pergunta: "então e agora, vamos levar um guardanapo dos franceses, é isso?" Olho para ela, faço uma pausa, e com uma timidez muito pouco normal neste tipo de ocasiões, respondo: "Epá... queres saber uma coisa?... Epá... Eu acho... Eu acho que a gente ainda vai «limpar» isto..." 

A razão para esta "fezada" não estava vazia de argumentação. A França derrotou a Super-Alemanha num jogo em que foi completamente acossada durante 90 minutos, beneficiando da paragem cerebral de dois jogadores alemães. Primeiro, antes do intervalo, Schweinsteiger faz um penalti infantil. No início da segunda parte, Kimich perde uma bola na sua área. Griezmann não perdoou ambas as "brincadeiras", mas ficou a clara ideia que como equipa a Alemanha era 10 para 1 de uma França que viveu ao longo do EURO de rasgos individuais. Se achava que contra a Alemanha as hipóteses de Portugal seriam quase nulas, pelo facto de a postura medrosa nos poder empurrar para cima da nossa baliza, eu via a França como uma selecção com muitas lacunas na sua organização.


Sexta e sábado evitei as redes sociais e expressar muito o que me ia cá dentro, porque apesar não ser supersticioso (porque ser supersticioso dá azar), não queria que algo agoirasse o feeling que tinha. Domingo, dia 10 de Julho, dia da final, passei o dia a mentalizar-me que íamos perder, que se noutras ocasiões com equipas quase míticas não ganhámos, não seria agora que íamos conseguir, carregados de preocupações defensivas e sem perfume lusitano no nosso jogo.

Já muitos definiram o enredo do passado dia 10 de Julho como um mau argumento de um filme de série B que poucos se dignariam a pagar bilhete de cinema para ver. Imaginem esta história:

"Era uma vez um grupo de fazendeiros comandados por um cavaleiro gigante que foi lutar contra os Ogres da Montanha. Onde? Na Montanha! E logo mal os vêem chegar ao campo de batalha, os ogres matam o cavaleiro gigante. No entanto, os fazendeiros vão fazendo tudo por tudo para não serem atirados pela ravina abaixo, até que o fazendeiro côxo desfere um golpe com a sua espada e mata os ogres todos! FIM!"


Não foi tanto assim, mas anda lá perto. CR7 lesiona-se aos 8 minutos, tenta continuar, mas sai de maca aos 23 minutos. Portugal perde o seu capitão, a sua estrela e maior referência, e é aí que começa um curioso (mas apesar de tudo chato) jogo de xadrez que Fernando Santos acabou por jogar com mestria. Tive a oportunidade de rever o jogo sem a emoção do imediatismo, sabendo obviamente como acaba, e é interessante perceber que o futebol deu lugar a um jogo psicológico e a toda uma preparação para colocar as peças ao longo do tempo nos sítios certos para no fim desferir o golpe final.

O momento chave dá-se aos 78 minutos. Éder, o mal amado, entra para o lugar de Renato Sanches e fixa-se na frente de ataque. E a França perde a bola definitivamente: faz só um remate com perigo para a baliza (bola no poste, é certo) entre os ditos 78 e os 120 minutos.

E aos 109 minutos, nasce a lenda deste EURO 2016. Éder, o fazendeiro côxo, mata os ogres azúis. Os ogres azúis que nos fizeram tanto mal no passado.



Fernando Santos fez-me morder a lingua, já bem carregada de pimenta por o ter chamado de idiota no dia 19 de Junho. Continuo a não gostar da sua forma de pensar o futebol, mas fiquei fascinado com as suas capacidades no xadrez, pois foi esse xadrez que me deu a chance de assistir em directo à página mais bonita do futebol português. É óbvio que gostava de ter ganho com uma equipa que me fizesse sonhar do primeiro ao último minuto e me levantasse o rabo da cadeira a cada jogada deslumbrante... mas que se lixe isso tudo agora! Apreciações ao jogo ficam para depois!!!
 

SOMOS CAMPEÕES DA EUROPA!!! ESTA NINGUÉM NOS TIRA!!! ESTA NINGUÉM ESQUECE!!! NUNCA MAIS!!!!

30/05/2016

REGAR A RELVA EM DIA DE CHUVA.

Termina mais uma época atarefada do vosso ponta de lança preferido, e o veredicto não é positivo. A lesão no joelho contraída em Março condicionou o final de época e pode não estar completamente debelada. Isso e os meus tiques de vedeta fizeram com que as opiniões fossem poucas durante muito tempo.

Muito aconteceu entretanto. Senão vejamos:

- Tudo começou com o Sótraste, caído em desgraça nas eleições, a ir para Paris de boina ao lado estudar enquanto reside num apartamento de luxo de um amigo. Os colegas não gostaram de o ver a chegar de Bentley todos os dias e a acender cigarrilhas com notas de 100€, queixaram-se e ele foi de cana! No entanto, o festival patrocinado pelo Correio da Manhã foi tal que o gajo de quem ninguém gostava é hoje visto como um herói injustiçado por alguns, e até eu acho que o estão a tentar apanhar sem ter por onde agarrar.

- Veio o Pedrocas, cortou tudo e cortou em todos, excepto em quem tinha bastante, agarrou-se à cadeira de sonho como uma mosca a um pingo de caramelo, e até beijaria o Paulinho das Feiras para lá continuar. Este fez chantagem, decidiu sair, mas voltou com a promessa de mais galões! O que eles não contavam era com a "esquerdalha inconsciente" a ganhar responsabilidade e unir-se com o Tony Costa. O Pedrocas voltou para a bancada, à espera de ser emprateleirado! Quanto ao Paulinho, pirou-se antes que fosse emprateleirado! Entre mortos e feridos deste Armagedâo Vermelho, o PAN tem um deputado na Assembleia da República!

- O Cavaco está reformado, finalmente, para bem do país. E nem uma piada merece sobre o assunto. O Marcelo é o novo PR e tem sido mais Presidente em 3 meses que o outro em 10 anos!

- Voltou tudo para trás: privatizações, medidas laborais, cortes salariais, e finalmente é possível casais gay adoptarem crianças! A Miss Alemanha meteu mãos à cabeça. O Pedrocas pede castigo, a Sãozinha também mas menos descaradamente, mas o Tony continua a juntar a malta à mesa e a sair das reuniões triunfante. Se calhar, é ele quem paga a conta, e vamos a ver se não paga toda no fim...

- Os estivadores estiveram em greve 34 dias. Pairou a ameaça de despedimento colectivo. O Tony foi lá e pimba! Assunto arrumado, tudo de volta ao trabalho de sorriso nos lábios!

- O tema mais complicado estava a ser o caso dos colégios com contrato de concessão. Mesmo aí, o Tony e os seus colegas decidiram bem! Têm uma minoria irrisória a protestar e uma cambada laranja e azul a defendê-los com argumentos tão fortes como "vocês vão por professores no desemprego", esquecendo o que foram os últimos 4 anos em matéria de educação. Mais valia dizerem "vocês cheiram mal dos pés", teriam certamente mais credibilidade e alguém a dizer "epá, estes tipos têm alguma razão!"

Por isso, fico com a sensação que há muita gente preocupada com o mês de Junho. Principalmente o Tony! É que a vida corre-lhe tão bem que estará neste momento a pensar:

"Caramba, não podemos adiar o EURO 2016 e a COPA AMERICA CENTENARIO para a altura da discussão do Orçamento de Estado 2017? É que agora está tudo bem, há consensos e não temos medidas crispatórias para tomar, e estamos a desperdiçar trunfos destes, pá! Um mês inteiro de futebol para distrair a malta quando está tudo bem é como regar a relva em dia de chuva!"

Concordo! Adiem, para ver se ainda sou seleccionado depois de curado! Se o Ricardo Carvalho e o Ederzito podem ir a França, eu também posso! E tenho esperança!

Copa América Centenário e EURO 2016 aqui no "Angústia...", só para chatear!